quinta-feira, 2 de abril de 2009

EDUCADORES HUMANISTAS

A EDUCAÇÃO AFETADA PELA CRISE DA SOCIEDADE

Para muitos educadores é evidente que a educação já não é resposta satisfatória para as necessidades do mundo atual. Por isso, não são poucos os educadores que, conscientes da envergadura da crise em que se vive, buscam respostas que dêem sentido à educação, já que esta, ao subordinar-se a interesses e motivações de claro teor economicista ou conceber - se simplesmente como reprodutora das condições sociais existentes, não tem conseguido priorizar as respostas que hoje o ser humano necessita.
Nós difundimos a necessidade de um novo paradigma na educação, mas sem dúvidas não resulta plenamente viável sua aplicação quando os contextos macrosociais continuam sendo fortemente influenciados por valores e princípios de claro teor economicista e desumanizante. Por isso, inevitavelmente, os projetos educativos não podem abster-se de uma vinculação estreita com o contexto social em que se situam. Dito de outro modo, uma proposta educativa humanizadora deverá situar-se necessariamente na perspectiva de uma transformação social e cultural, o que lhe permitirá constituir-se em uma proposta global coerente.
Não há dúvidas que a sociedade está se transformando aceleradamente. Isso põe em severa crise as antigas instituções e os antigos métodos. Assistimos a um processo de mundialização que parece irreversível, e por isso resulta necessário pensar os fundamentos desta nova sociedade planetária ou, mais adiante, desta nova civilização global que se está gestando. As perguntas fundamentais são: “Que forma tomará esse novo mundo?”, “Para onde se dirigem os acontecimentos?”, “Que imagem de um novo mundo pode-se propor?”. Essas perguntas nos parecem fundamentais já que, como em toda época de crise, se apresentam diferentes opções a respeito do rumo que podem tomar os acontecimentos. Assim como esta crise é a posibilidade de nos abrirmos a novas perspectivas que possibilitem uma evolução em direção a uma sociedade mais humana, solidária e libertária, surgem também as vozes que propõem alternativas obscuras, reacionárias e autoritárias.
A educação hoje não dá resposta a essa crise porque: não forma as pessoas para o mundo em que vivem. Não serve para as crianças (porque não aprendem e se aborrecem) e não serve para os professores que apenas conseguem sobreviver com seu trabalho e que vêem com frustração que sua vocação vai sendo avassalada pelo sistema.
O professor é o executor do projeto de educação e é sobre ele que recai o peso da crise do sistema. Sente-se impotente vendo como se deterioram seus alunos dia a dia e cada vez têm menos influência para modificar a situação. Por sua parte os alunos, que estão obrigados a assistir às aulas, sentem-se cada vez mais desmotivados. A situação que o jovem vive na escola é contraditória a sua necessidade de dinâmica e expressão corporal; ademais, a tendência homogeneizadora da escola atenta contra a diversidade pessoal e cultural.

É evidente que necesitamos de uma mudança muito profunda no sistema educativo.
Mas não só no sistema educativo, também se faz indispensável a transformação pessoal dos seres humanos que dele participam. Os professores devem ser referência nesse sentido. O que acontece com o projeto de vida do professor? Onde está aquele professor recém-saído da Universidade, cheio de idéias novas que gostaria de implementar com seus alunos para ajudar a formar melhores pessoas?

Acontece que vivemos em um sistema de frustração aprendida que vai anestesiando nosso talento e nossas inquietudes.

Estamos em presença de um sistema educacional em crescente desumanização. Tirar uma nota é mais importante que aprender, temer ao professor ao invés de respeitá-lo; uma profunda falta de comunicação entre alunos e professores, entre colegas, entre professores e encarregados, etc. O professor se vê obrigado a converter-se em um “domador” mais que em um formador, sua real vocação.

O Sistema Educacional têm hoje um marcado selo de discriminação.

Prepara poucos para o governo e controle da Sociedade e a maioria como mão-de-obra barata e submissa. Há um abismo entre a qualidade de Educação privada e a gratuita, e o professor se vê obrigado a tornar-se cúmplice dessa monstruosidade.
Quando a sociedade se pergunta “por que há tanto consumo de drogas?”,”por que aumenta a insegurança?”, “por que aumentam os suicídios entre os jovens?”, não precisa buscar as respostas muito longe, basta apenas ver em que estado se encontra o sistema educativo público e privado.
Quer nos agrade ou não, temos que tomar consciência de que houve um divórcio entre o modelo econômico e a necessidade de educação.

Isso faz com que qualquer notícia de alguma melhora seja suspeita, mentira ou hipocrisia se não abordar os temas de fundo, que não são somente um problema de recursos, mas também um problema existencial e de sentido.
Por isso, os educadores de hoje devem ser a voz e a ação do melhor do ser humano, ser os que levantam a esperança e que mostram na prática que uma nova e melhor forma de viver é possível.

Se a realidade e o mundo é um constante fluir e a transformação permanente é seu elemento constitutivo essencial, poderá seguir-se justificando uma idéia de educação meramente reprodutora ou socializadora?

Nenhum comentário:

Postar um comentário